Cruzando a Carretera Austral (final) – Conhecendo Puerto Rio Tranquilo,
Capillas e Catedral de Mármol, Puertos Bertrand e Guadal e Lago General Carrera
27 de outubro de 2013 – 24º dia
- Desayuno: a cargo do hostel.
- Tornamos à
estrada, em direção ao sul. Transpomos atrações encantadoras, como, entre
outras: Lagunas Foitzick e Verde, Reserva Nacional Cerro Castillo, Lago Verde,
Vulcão Hudson, Cerro Las Estatuas, Piedra El Conde, Garganta del
Rio Ibanez, alem de cachoeiras e belvederes (com vistas espetaculares).
Chegamos, por volta do meio dia, à localidade de Puerto Río Tranquilo.
- Almoço: um
excelente cordeiro patagônico, famoso prato da Patagônia Chilena, no único restaurante
aberto do minúsculo lugarejo (bom custo/benefício).
- Após a
refeição, em passeio de lancha pelas lindas águas do Lago General Carrera, conhecemos
às Capillas e a Catedral de Mármol, atração de rara e espetacular beleza. Trata-se
de uma península de mármore maciço, em forma de gruta de estalactite, produzida
pelo desgaste das águas do lago.
- Volvendo à
estrada, largamos a Puerto Bertrand,
alvo derradeiro de nosso trajeto pela Carretera.
Deste povoado retornamos, abandonando a cinematográfica estrada e seguindo em
direção a Puerto Guadal e a Chile
Chico, junto à fronteira com a Argentina. No percurso, por caminho escabroso, agudamente
montanhoso e escarpado, tivemos abaixo e na lateral, a companhia do Lago
General Carrera, com seus 224 mil hectares, alcançando fundura de 590 metros, o
mais profundo da América do Sul (parte dele fica na Argentina, onde é chamado
de Lago Buenos Aires). A coloração da água é desconcertante. Ora é esverdeada,
ora é azul turquesa (resultante do desaguamento de rios vindos dos glaciares).
Ao fundo, montanhas imensas, glaciares, vulcões, neve e florestas. Mais uma
vez, vimos à natureza em todo seu esplendor. Para ajudar, sol aberto, com
nuvens esparsas de variados formatos, que pareciam “aureoladas de uma luz
balsâmica”. O fotógrafo oficial da expedição, Paulo Nascimento, sacou muitas
fotos. Ao anoitecer, com o pôr do sol se aproximando, a paisagem acentuou ainda
mais sua comovedora beleza. Mais uma vez, vivenciamos um momento mágico e
sublime, rumo ao “Fim do Mundo”.
Nota: durante o deslocamento junto ao
General Carrera, paramos a Amarok para possibilitar a passagem de um rebanho de
bovinos, conduzido por solitário e calejado senhor, montado num cavalo.
Tratava-se de um autêntico huasco
chileno, folclórico e respeitado personagem equivalente ao gaúcho do Pampa do
Rio Grande do Sul (e também da Argentina e Uruguai). Enquanto bois, vacas e terneiros passavam lentamente
pela estreita estrada, os blogueiros, inseridos na deslumbrante paisagem que
tentamos descrever acima, dialogaram brevemente com o “cuidador” do gado (com
boa vontade, conseguimos nos entender perfeitamente). Sentimos que ficou assaz
admirado quando lhe contamos que éramos brasileiros e sobre a viagem que
estávamos empreendendo. Partilhou o interesse pelo futebol e outras questões. Confidenciou
sua satisfação em viver naquelas terras, da qual nunca tinha saído. Não fosse a
necessidade de continuar seu labor, poderíamos ter conversado horas com o huasco, que nos transmitiu sabedoria e
simplicidade, assim como devem (ou deveriam) ser as coisas da vida.
- A noite já
avançava, quando chegamos a Chile Chico.
- Pernoite: hostel Kon Aiken (quarto privativo –
banheiro compartilhado – incluso o desjejum – não incluso o acesso a cozinha).
Custo/benefício razoável.
- Janta: uma
espécie de sanduíche (estilo cachorro quente brasileiro), adquirido numa
carrocinha, instalada junto à praça central, de propriedade de simpática senhora
de nacionalidade paraguaia, radicada naquelas paragens do Chile.
- Itinerário
básico do dia: Coyhaique – Puerto Río
Tranquilo – Puerto Bertrand – Puerto Guadal – Chile Chico.
- Km
percorridos: cerca de 400 km (praticamente todos em estrada de rípio).
- Abastecimento:
54 litros de óleo diesel.
- Tempo: bom,
com sol aberto e nuvens esparsas. Temperatura: ao redor dos 10 ºC.
Nota Especial – A CARRETERA AUSTRAL
Consideramos o percurso realizado na estrada Carretera Austral ou Carretera Pinochet (como também é
conhecida), de um encanto diferenciado, por incorporar o espírito aventureiro, inóspito,
difícil e perigoso a fascinantes atrações. Por isto, entendemos que cabe fazer
uma breve digressão sobre a mesma.
- A Carretera é tida como uma das estradas mais
cinematográficas do mundo. Ideal para se realizar turismo de aventura. Edificada no sentido longitudinal da imponente
Cordilheira dos Andes (daí seu nome oficial: El Camino Longitudinal Austral), percorremos cerca de 700 km da
mesma (na direção norte-sul), certamente seus trechos mais deslumbrantes e de
belezas mais significativas. Como já vimos, ingressamos em Villa Santa Lucía,
vindos de Trevelin (AR), via Paso
Fronteirizo do Rio FutaIeufú. Deixamos ela em Puerto Guadal, direção a Chile Chico
e Los Antíguos (AR).
- Outras características
interessantes da Carretera: em partes, é bastante estreita (passa um carro por
vez – e, ainda há de se ter muuuito cuidado). Basicamente a base de rodagem é o
rípio (pequenas pedras e cascalho). Em alguns locais, o asfalto avança, sendo
que este existe próximo a centros maiores. Devido às condições climáticas
difíceis a que está submetida, está em constante manutenção. São inúmeras as
grandiosas soluções de engenharia encontradas, para fazer frente ao dificultoso
relevo em que é construída, como túneis, pontes e elevados. Curvas, subidas e
descidas acentuadas são uma constante.
- Encontramos
no caminho, toda a sorte de obstáculos. Ali e acolá, árvores caídas,
desmoronamentos, buracos e pedras enormes, grandes trechos em construção e/ou
manutenção, bloqueios, cursos de água que atravessam a estrada, barro (pouco,
dado ao bom tempo que ocorria quando passamos por ela) e, por vezes, muita
poeira, situações comuns, para uma estrada que rasga uma das regiões menos
exploradas do planeta.
- Produto da obstinação e do acertado alvitre
do governo do saudoso Presidente General Pinochet, o cenário que vimos, à
medida que avançamos pela Carretera, é
absolutamente surpreendente. Pequenos povoamentos (que parecem perdidos no meio
do nada), geleiras, montanhas (muitas com os picos encobertos de neve),
florestas, quedas de água, rios, lagos e lagoas (com suas águas de cores verdes
e azuladas), fiordes, vistas maravilhosas, animais selvagens em profusão e a cultura
rústica e especial dos simpáticos(as) pioneiros(as) que vivem ao longo da
estrada.
- Certaamente
percorrer a Carretera Austral foi um
dos pontos altos de nossa marcha.











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